Jogando a Sério

Eu voltei pra universidade – e a culpa é do Pokémon Go

17 set , 2016  

Eu tenho a forte crença de que todos nós deveríamos nos dedicar à arte em algum momento da vida, independentemente de sua forma. Não importa se você é escritor, faz quadros, toca algum instrumento, canta, dança, faz esculturas ou atua em um palco; todos nós somos artistas de alguma forma.

Esse é um assunto recorrente que tenho tanto no ambiente de trabalho quanto em conversas de bar: a arte nos transforma e dá um significado para tudo aquilo que fazemos. E todos nós sentimos isso em algum momento. Alguns encontram respostas da vida em trechos de música, outros preferem reproduzir frases da Clarice Lispector em suas redes sociais, e eu… Bem… Eu jogo.

Não é a primeira vez que falo isso e com certeza não será a última: videogames são pra mim a forma artística mais atrativa e impactante existente. E posso afirmar isso com uma certeza absoluta. Também foi graças aos jogos que eu trilhei muitos caminhos dos quais me orgulho tanto. O ponto é: amar a arte não te dá as condições de se doar pra ela. E foi isso que me fez tentar desistir da vida de desenvolvedor de jogos.

Os problemas são diversos: a falta de incentivo do país com o setor – que apesar da imensa melhoria nos últimos anos, ainda caminha de maneira lenta pra firmar a indústria de jogos nacional, as pouquíssimas vagas disponíveis (e que por vezes solicitam requisitos de alguém que já possua experiência na indústria), a falta de um portfólio com títulos finalizados (loooonga história) e mais outros tantos que acabaram me abalando a ponto de quase deletar todas minhas pastas de projetos do computador e desistir de vez de ser um desenvolvedor. Em um certo período da minha vida eu de fato esqueci completamente a vida de desenvolvedor de jogos e tentei explorar um outro caminho, um que fosse mais seguro e que eu conseguisse me adaptar: tentei me graduar no curso de Gestão em Tecnologia da Informação.

A experiência foi horrível. A frustração de não me dedicar a algo que eu realmente gostasse era constante e incômoda. Depois de um semestre eu larguei a faculdade.

Depois disso muita coisa rolou. A ideia da desistência veio pra minha cabeça mais algumas vezes. E pouco tempo atrás eu estava prestes a seguir novamente por um caminho que talvez não me fizesse mais feliz, mas que pelo menos parecia mais seguro. E foi exatamente nesse período que o lançamento de Pokémon Go foi anunciado e eu conheci o Spark.

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Se você passou o último mês em alguma caverna, pode ser que ainda não conheça esse jogo. O game foi desenvolvido pela Niantic e teve seu lançamento oficial no Brasil no dia 03 de Agosto de 2016. O jogo possui a proposta de mesclar o mundo real com o digital e permitir que os jogadores capturem Pokémons em qualquer lugar que visitarem utilizando seus dispositivos móveis.

O jogo foi um completo sucesso. Em poucos dias, a Nintendo aumentou suas ações em mais de 120%; também num curto período de tempo, o jogo superou o número de downloads do Tinder, posteriormente detendo o título de jogo mais baixado da App Store na história! Não pára por aí: o jogo também superou a receita de grandes filmes no cinema, além de tomar a posição de jogo com mais usuários ativos – que até então pertencia ao gigante “Candy Crush”, que por tanto tempo foi insuperável.

Não faltam argumentos pra provar a importância que o Pokémon Go possui tanto para a indústria de jogos quanto para qualquer outro setor que trabalhe com tecnologias disruptivas. O jogo criou a possibilidade de novos negócios, e outros que já existiam adaptaram suas estratégias para que pudessem se aproveitar a febre gerada pelas caçadas pokémons. Houve também impacto na educação: alguns professores utilizaram mecânicas do Pokémon para contextualizar suas aulas e facilitar o entendimento de suas respectivas matérias para os alunos.

Também houve surpresas agradáveis e inesperadas dentro do “mundo gamer” que tornaram o jogo muito mais divertido. Mas antes, uma rápida explicação:

<explicação>

Uma das ideias do Pokémon Go é que o jogador escolha um time que deseja integrar. Existem três times: o Team Valor, liderado pela Candela; o Team Mystic, liderado por Blanche, e por último o Team Instinct, liderado pelo Spark.

Por não ser um jogo sem grandes pretensões em profundidade, Pokémon Go apenas traz um breve descritivo sobre cada um dos líderes e o qual a característica principal que rege seu time. O Team Valor se baseia em acreditar na Força dos Pokémons e seus treinadores, o Team Mystic acredita na Sabedoria dos Pokémons e seus treinadores, e o Tem Instinct é completamente auto-explicativo: tanto Pokémon quanto treinador acreditam nos seus instintos para vencer suas batalhas.

<fim da explicação>

Com base nessas informações, a fanbase do jogo começou a criar histórias para cada um dos líderes de Ginásio, dando uma personalidade mais aprofundada para cada um deles. E isso viralizou de tal forma que já existe até mesmo o projeto de uma HQ com os líderes de cada time em andamento. A Niantic conseguiu reunir o melhor do público gamer através do seu projeto. A força da comunidade tornou o jogo ainda mais forte do que ele já era, e criando um significado muito maior para o que deveria ser só “capturar monstrinhos no caminho do seu trabalho”.

Mas talvez você se pergunte: “E no que exatamente tudo isso te influenciou pra entrar na universidade?”. A resposta é simples: impacto.

No primeiro final de semana em que comecei a jogar Pokémon Go, decidi ir com minha namorada pro Parque Ibirapuera. Pra minha surpresa, o parque estava cheio de uma forma que há tempos eu não via, e com muita gente interagindo uns com os outros pra trocar truques, falar onde conseguiram capturar cada pokémon e dando risada juntos. Ainda por conta do Pokémon Go eu comecei a ver meu irmão saindo mais vezes de casa. Eu vi mais uma vez o quanto os jogos são capazes de transformar e unir as pessoas sem que elas percebam. E me lembrei dos motivos que me incentivaram a ser um desenvolvedor.

Depois de tudo isso ficou fácil entender o que o Spark diz pra todos que fazem parte do seu time: Siga seus instintos.

 

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