IndieVisível,Jogando a Sério

Não foram os tempos que mudaram; você que continua um bosta

4 mar , 2016  

A essa altura você provavelmente já ficou sabendo sobre toda treta que rolou sobre o Oscar. Se não sabe, vale a pena se atualizar: esse ano o diretor Spike Lee (Malcom X, Inside Man e Oldboy – o remake, não o original) e a atriz Jada Smith (que interpreta a Niobe em Matrix Reloaded/Revolution e que recentemente fez a incrível Fish Mooney no seriado Gotham) anunciaram que não participarão da cerimônia do Oscar esse ano. O motivo do boicote? Muito simples: por dois anos consecutivos, entre todos os indicados aos prêmios de atuação não há nenhum negro.

Vale lembrar que no ano passado tivemos uma atriz negra recebendo um Emmy de melhor atriz dramática pela primeira vez na história.  Durante seu agradecimento, Viola Davis disse: “A única coisa que separa mulheres de cor de qualquer outra pessoa é oportunidade. Não se ganha esse prêmio sem um papel”.

Aparentemente pra ganhar um Oscar, nem ter o papel te dá a oportunidade. Mas não acaba aí: uma das indicadas à melhor atriz desse ano, Charlotte Rampling, acredita que a atitude é um exagerada e que chega a ser uma espécie de racismo contra brancos (oi?). Em entrevista, Charlotte disse:  “Não dá para saber, mas talvez alguns atores negros não merecessem estar na reta final”.

Os argumentos de Rampling podem parecer inacreditáveis, mas são muito mais comuns do que imaginamos. A indústria do entretenimento sempre seguiu padrões normativos que oprimem uma minoria e servem aos propósitos de quem se beneficia deles. O exemplo dado neste texto é sobre a recente problematização do Oscar, mas poderíamos falar sobre a falta de personagens gays, transexuais e até mesmo mulheres com um papel relevante em alguma obra.

Diante deste quadro, as pessoas oprimidas finalmente começaram a se unir para ganhar voz. Com frequência você lê críticas à algum personagem estereotipado de maneira superficial para servir aos propósitos da indústria. E frequentemente também surgem comentários do tipo: “Mas sempre foi assim. Por que vocês querem mudança agora?”.  Aliás, as críticas sobre os “tempos chatos de debate” já virou até propaganda pra Pepsi Twist.

Sabe, os tempos não mudaram. As pessoas não começaram a se sentir oprimidas agora. Elas sempre se sentiram dessa forma. Se hoje vivemos numa sociedade machista, homofóbica, transfóbica e com tantos outros “valores morais” que são impostos diariamente por diversos canais, é porque isso foi construído e alimentado por muito tempo. Aqueles que sofrem com esses padrões ridículos não conseguiam encontrar um espaço onde fossem ouvidos. Mas agora conseguem.

Não foi a sociedade que mudou. Infelizmente, a sociedade continua a mesma em muitos pontos. E é exatamente essa a razão pra tantas reivindicações. O verdadeiro problema pra mudanças agora não é pela falta de voz das minorias, mas sim o incômodo que elas causam. Tem muito babaca que se diz não homofóbico/transfóbico/misógino/racista/etc e tal mas que é incapaz de tentar se colocar no lugar do outro por um instante.

Talvez você seja esse babaca.

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