IndieVisível,Jogando a Sério

O que precisamos na atual indústria de jogos?

29 fev , 2016  

Muito tempo atrás, os jogos eram vistos como mais uma forma de entretenimento em meio a tantas outras. Agora, representam um dos mercados mais rentáveis da história.

Isso é ótimo: com o avanço da indústria, temos diversos estúdios iniciando o desenvolvimento de jogos, e os que já o faziam, tem se aprimorado muito mais. Se você é um grande fã de videogames, provavelmente tem um calendário com todos os grandes lançamentos do ano anotados. Isso é apenas uma das tantas outras maneiras de mostrar que os games ganharam uma relevância imensa em poucos anos, chegando até mesmo a superar a indústria do cinema como opção pra diversão desde 2003.

Mas em meio a tanto crescimento econômico, existe um pequeno problema: o consumidor. A lógica é simples: sem o consumidor para o mercado, o mercado não existe. Com isso, não quero dizer que a indústria dos videogames perderá seus consumidores atuais. De forma alguma. Na verdade, a tendência é que essa área cresça muito mais nos próximos anos, ainda mais levando em consideração as inúmeras aplicações existentes para os jogos.

O problema é que o consumidor tem ficado insatisfeito. E com razão. O ano de 2014 marcou o descaso das publishers que se preocupavam mais em cumprir cronogramas do que entregar um produto com qualidade. A solução foi oferecer patches de correção imensos para conseguir tornar alguns projetos pelo menos jogáveis.

E se temos esse tipo de complicação para os PC’s e console, no mercado dos dispositivos móveis a situação é aparentemente mais perturbadora.

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Durante a última edição da Campus PartyGuilherme Camargo, sócio da Sioux apresentou uma pesquisa sobre o panorama dos jogos digitais no Brasil feita com 909 pessoas no território nacional. Apesar de inúmeros dados interessantes, os dados sobre os jogos para dispositivos móveis tem um destaque especial.

Já se fala há muito tempo sobre como os jogos digitais são os mais populares dentre os diversos aplicativos das lojas virtuais. E nessa pesquisa mostrada pela Sioux, quase 75% das pessoas tem o hábito de baixar jogos para seus celulares. Mas há outro dado importante: quase 34% baixam jogos TODA SEMANA.

Mesmo sendo uma pesquisa nacional, é de se imaginar que o panorama lá fora não seja muito diferente. A razão? Bem, diversos jogos são lançados diariamente nessas lojas. A quantidade de desenvolvedores de jogos aumenta cada vez mais com as diversas opções de desenvolver jogos de maneira simples.

Mas quantidade não representa qualidade.

Segundo a Wooga (uma das mais conhecidas empresas desenvolvedoras de jogos mobile), menos de 0.1% dos jogos lançados na App Store são bem sucedidos. E existe uma estimativa de que aproximadamente 80% dos aplicativos nela são apps zumbis (que são pouco baixados ou nunca foram baixados).

Se eu tivesse que chutar a razão das pessoas baixarem jogos com tanta frequência em seus celulares, diria que é devido a insatisfação com os jogos que elas já possuem. E isso é péssimo.

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Devido a esse crescimento econômico que infelizmente não acompanha o crescimento qualitativo, acredito que o mercado precise de mais jogos e menos indústria. Quando digo mais jogos, quero dizer que precisamos de menos jogos em quantidade, mais jogos em qualidade. O foco dos desenvolvedores deve ser em apresentar um produto de qualidade que venderá por consequência, e não vender o seu jogo antes mesmo do seu desenvolvimento completo.

É importante que o panorama do mercado de jogos digitais seja cada vez mais positivo, de fato. Não discordo que os jogos devem ser cada vez mais rentáveis e mostrar que essa indústria deve ser valorizada. Mas tal como aconteceu em 1983 com o Atari, estamos num momento de crise. Temos muitos jogos, entretanto, poucas opções.

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