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Saudades de você #1: Crash Bandicoot

19 fev , 2016  

Crash foi um dos jogos que mais marcou minha infância. Acredito que não só a minha, mas de todos que fizeram parte da geração 32-bit.

Também não é pra menos: o jogo trazia tudo de melhor dos seus concorrentes (Sonic e Mario) e era claramente inspirado num dos maiores sucessos do Super Nintendo, o Donkey Kong.

Mas naquele tempo, o Crash Bandicoot tinha um elemento diferencial. Algo que o tornava único em relação aos demais. E não estou falando somente do fato de que ele era o primeiro jogo no estilo plataforma a ser passado para o mundo com três dimensões de maneira tão bem executada. Na verdade, pra mim, o (personagem) Crash tinha muito mais personalidade que qualquer mascote que tenha sido criado antes. E isso dava mais valor ao gameplay.

Esse é um ponto importantíssimo para o jogo ter se tornado tão marcante. Quando falo “personalidade” não quero dizer apenas pelo enredo que o jogo possuía ou o estilo artístico que adotaram para o Bandicoot. O Crash tinha uma personalidade que era aliada ao restante do jogo. Todo o jogo tinha esse toque meio maluco e bobo que o personagem tinha, e isso fazia toda a diferença.

Os inimigos do game eram pensados de uma forma que conseguissem ser tão engraçados e carismáticos quanto o próprio protagonista. E funcionou. A ideia de adicionar diversas animações para cada tipo de morte que o jogador tivesse durante as fases também foi uma ótima implementação. E isso aumentava esse “espírito” brincalhão que o jogo possuía. DK, que serviu de inspiração para criação do Crash tinha esses mesmos elementos. Mas a Naughty Dog não só aprendeu a lição de casa como conseguiu aprimorá-la, e criou uma obra que seria considerada uma das suas maiores criações de todos os tempos.

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O jogo era bem simples nos moldes dos platformers famosos: você basicamente percorria pelo cenário ultrapassando e derrotando seus inimigos enquanto coletava itens nas fases, geralmente escondidos em caixas.

O primeiro jogo da série possuia só dois comandos: pular e girar. Mas a maneira de explorar essa jogabilidade era mostrada em cada novo cenário de maneira criativa. Conforme o jogador avança nas ilhas, percebe que os movimentos devem ser mais rápidos e precisos, muitas vezes escapando do Game Over por um triz. Novos inimigos surgem em cenários diferentes, e seus padrões de movimento são minimamente pensados pra contribuírem com os desafios que a fase já proporcionava.

Além dos testes de habilidade que algumas fases forneciam, existiam fases temáticas, com uma espécie de “mecânica” diferente. Era o caso do cenário “Bolder Dash” e do “Hog Wild“, que traziam um conceito completamente diferente do restante do game, que criavam uma nova maneira de explorar a jogabilidade criada.

E não acaba aí: o jogo também possuía uma trilha sonora memorável e que não deixava a desejar nem um pouco, mesmo para os fãs mais aficcionados do ouriço azul ou do encanador italiano.

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Esses elementos evoluíram de maneira crescente para os outros dois títulos da série: Crash Bandicoot 2: Cortex Strikes Back e Crash Bandicoot 3: Warped. Estes, traziam elementos novos para a jogabilidade, apesar de mantê-la simples. A principal vantagem em adicionar novos elementos para a jogabilidade era que o game agora possuía mais possibilidades para a exploração dos cenários, e isso fazia tudo muito mais divertido.

Também houveram melhorias gráficas (tanto na contagem de polígonos para otimizar os modelos 3d quanto na animação, que ficou ainda mais caprichada), e a trilha sonora permanecia memorável (apesar de não ser tão boa quanto do primeiro título, na minha opinião).

Mas dentre tantos outros títulos que também morreram, por que o Crash Bandicoot faz tanta falta?

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Os jogos mudaram. O público de agora está acostumado com outros tipos de videogames, geralmente com mais ação e cenários gigantescos com técnicas de fotorrealismo. Não que só esse tipo de jogo seja feito, mas são os que fazem mais sucesso. Se você procura por adventures mais “leves”, com personagens mais *bobos*, você acaba comprando um console da Nintendo.

Não vejo isso como positivo de forma alguma. Ter concorrência proporciona a criação de produtos ainda mais inovadores. É o que vejo sempre com a eterna disputa entre Sony x Microsoft, cada qual querendo fornecer jogos que tenham mais e mais coisas inseridas no meio de uma bagunça. Tudo ok. A indústria precisa desses jogos. Mas também precisa de jogos com o espírito do Crash.

Jogos que tem uma “personalidade” marcante fazem falta. E é uma pena que adicionar personalidade pro jogo seja menos importante do que vender o máximo possível. Por isso temos jogos cada vez mais genéricos e sem graça.

 

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Mesmo o Crash precisou perder muito da sua primeira personalidade pra se adaptar ao “público moderno”

Eu sinto falta do Crash Bandicoot. Eu realmente desejo que um dia haja um acordo entre a Naughty Dog e a Activision para que esse jogo possa voltar. Mais importante do que um projeto engavetado é um jogo que possa agradar ao público, e reaviver a ideia de que um jogo não precisa ter 900 missões, 72 horas de gameplay e um mundo aberto pra exploração para conseguir ser divertido.

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