IndieVisível,Jogando a Sério

Por que Journey merece (pelo menos) o seu respeito

19 fev , 2016  

Em 2013, a thatgamecompany lançou um jogo que mudaria a vida de muita gente. Com gráficos maravilhosos, trilha sonora perfeita e um gameplay que flui como uma faca cortando manteiga que estava fora da geladeira, Journey apareceu.

Apenas para Playstation 3, o jogo despertou o coração gelado de gamers antigos que vivem em um mercado de jogos onde conceitos originais estão cada vez mais difíceis de se separar do joio.

Se você já jogou Journey sozinho em seu quarto, em um dia frio, com aquele seu pijama de mendigo cheio de furos, aposto que clicou neste link por concordar comigo.

Se você já jogou e não gostou, pois bem, deixe-me argumentar de forma respeitosa (porém incrédula):

Começarei falando primeiro do já citado conceito do jogo. (pode ficar tranquilo que não haverão spoilers)


Esse sentimento de solidão e de grandiosidade da foto é repassado ao player praticamente durante TODO o jogo!

No jogo você é uma criatura desconhecida. Com um capuz vermelho, você cobre sua pele escura – o que te faz sentir uma misteriosa sensação. A narrativa conta a história de uma antiga civilização hipotética que se perdeu com o tempo.

Paralelo a isso, podemos perceber que a muda narrativa sobre essa civilização não tem apenas um sentido literal. E que uma metáfora sobre a vida é o que está sendo dita nas entrelinhas.

“Os desenvolvedores queriam que Journey evocasse os sentimentos de insignificância e admiração nos jogadores, e que forjasse uma conexão emocional entre ele e os outros jogadores anônimos encontrados na jornada” – Disse o nosso melhor amigo (e às vezes caôzeiro) Wikipédia.


A espiritualidade em Journey é um aspecto sempre presente.

O inspirador deserto ventanoso nos remete à inspiradora juventude. As escuras cavernas perigosas nos remetem à repentina responsabilidade da vida adulta. As gélidas montanhas à busca pelo sentido disso tudo – de uma forma dolorosa e lenta que é a velhice. Tudo isso, claro, com uma possível participação de um jogador a mais no seu jogo, te ajudando a resolver seus desafios – assim como um casal que se ama muito.

Se eu continuar falando sobre isso, começarei a sessão de spoilers. Então é melhor parar por aqui pois já deu pra mostrar que o conceito desse jogo não é qualquer coisa, né?

Pra continuar a argumentação à favor desta obra de arte, vou falar um pouco sobre os gráficos.


Acredite ou não, isso não é uma cutscene.

Sim, os gráficos. Um 3D que combina com um sutil contorno desenhado que te faz perguntar-se se na vida real as coisas têm contornos e você nunca parou pra perceber isso.

Muitos jogos em 3D acabam não respeitando o próprio ambiente, com vários bugs que te permitem atravessar paredes (DayZ mandou um abraço), ver através de paredes, ver uma rocha enorme por dentro, ver a cara do personagem por dentro, entre outras coisas que fazem a sua inserção ao jogo ir por água abaixo. Mas isso não ocorre em Journey. A experiência do jogo foi aprimorada de maneira que seus glitches (se existirem) sejam praticamente imperceptíveis.

Tudo isso vem somado com uma iluminação simplesmente perfeita. E quando falo perfeita, eu não estou exagerando. É uma das iluminações mais emocionantes dos games. Algo que não é tão levado a sério quando falamos sobre gráficos, faz toda a diferença em Journey.

E pra terminar, o meu preferido: a trilha sonora.


Você pode comprar a incrível trilha no iTunes: https://itunes.apple.com/us/album/journey-original-soundtrack/id511359368

“Austin Wintory, me faz um bebê nimim” – é o que digo sempre que ouço essa trilha.

A sutileza de tantos instrumentos ao mesmo tempo ainda me faz pensar no trabalho que deu para gravar tudo isso. Afinal, todos os instrumentos são reais. A trilha sonora é feita por uma orquestra real. Dê uma sacada nesse ao vivo (a música começa em 2:23).

Além da execução impecável, a música é marcada por melodias que se repetem. Isso é sempre uma tarefa árdua, já que cada música tem a intenção de reproduzir um momento, e nem sempre a mesma melodia consegue encaixar-se nesse momento, mesmo com uma harmonia completamente diferente por trás. A trilha de Super Mario Bros faz isso muito bem também.

Além disso tudo, já entrando para o trabalho do Sound Designer do jogo, Steve Johnson, as músicas interagem diretamente com o gameplay. Se você faz A, a música faz B. Se você faz C, a música faz D. Fazendo a inserção ao universo de Journey ser praticamente uma lei da física pra quem joga.

É por essas e muitas outras que digo sem ter medo da hipérbole: Journey é perfeito. O que ele se propõe a fazer, ele faz muito bem. Mesmo.

Se você não tiver um Playstation 3, não tem problema. Assista um gameplay no Youtube que também é uma ótima experiência. Recomendo o do Pewdiepie (sim, aquele do maior canal de todo o YouTube), é bem legal vê-lo lacrimejar sempre que uma bela vista toma conta da tela.

Espero que tenham gostado da minha humilde opinião sobre um exímio trabalho de uma empresa indie que dá banho em mais de 90% dos jogos das grandes empresas. A thatgamecompany também fez Flower, que é um outro jogo que te da uma sensação similar, e pra mim é ainda mais original que Journey.

Entendo que mesmo depois dessa falação você pode ainda não gostar de Journey. Tudo bem, gosto é gosto. Mas admita pra mim: pelo menos o seu respeito ele merece, não?

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