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Brincadeira Saudável? Como os jogos podem influenciar a sua saúde

19 fev , 2016  

Se você nasceu a partir da década de 80 é quase impossível que não tenha – mesmo que superficialmente – brincado com video-games. De fliperamas em shoppings, passando por dispositivos simples (e baratos) como brick games e tamagotchis, até os consoles pessoais (que, provavelmente, atraíam toda a molecada da sua família e vizinhança), os vídeo-games foram uma presença constante na nossa geração. E, não importa se você é um jogador hardcore ou casual, sempre irá se deparar com o seguinte questionamento: mas isso não vai te fazer mal?

E a resposta, meus caros, é: depende! O quê? Como assim, sua doida? Games são vida! Calma, jovem. Senta que a tia explica tudo pra você.

Os Benefícios

Durante boa parte da minha vida fui uma jogadora muito abaixo do casual, por motivos que iam do financeiro ao fato de eu ser mulher (Rapazes, vocês que querem tanto uma namorada gamer, lembram de quando não deixavam suas irmãs/primas/amigas jogar? Pois é…). Minha jornada no mundo dos games é recente, mas os benefícios já fazem parte do meu cotidiano. Entre as skills que um game ajuda a upar, jovens gafanhotos, estão:

1. Melhora da coordenação motora

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Se você tropeça nos próprios pés talvez seja a hora de incluir na sua lista de jogos o Dance Dance Revolution. Brincadeiras à parte, pesquisadores da Universidade de Deakin (Austrália) perceberam que crianças que passavam mais tempo em jogos interativos tinham melhores habilidades motoras que aquelas que não jogavam. Já um estudo da Universidade de Iowa (EUA) provou que cirurgiões que jogavam pelo menos 3 horas por semana tem um decréscimo de erros de 37% em cirurgias invasivas e são 27% mais ágeis que seus colegas que não tem essa prática.

2. Melhora da visão:

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Não, você não leu errado. Os games podem sim melhorar a sua visão. Na Universidade de Rochester (EUA) , pesquisadores descobriram que pessoas que jogaram jogos de ação com frequência (cerca de trinta horas) durante um mês melhoraram em 20% sua acuidade visual. E tem mais! A pesquisadora Daphne Maurer, da Universidade de McMaster (Austrália) desenvolveu um programa de 40 horas – em quatro semanas – que melhorou a visão de pacientes com catarata nos dois olhos.

(Tira a cara do monitor, criatura! Sobre essa questão sua mãe e sua avó ainda estão certas!)

3. Decisões mais rápidas

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Sabe a Universidade de Rochester? Então, os pesquisadores de lá – provavelmente um bando de gamers inveterados – mais uma vez saíram na frente e descobriram que os jogos podem influenciar as habilidades de decisão, nos ajudando a tomar a decisão certa muito mais rápido. Em um jogo, há uma série de escolhas a serem feitas – que irão influenciar todo o andamento do game e, até mesmo, o tipo de final. Isso transforma os jogos em uma espécie de “simulador de tomada de decisões”, habilitando os jogadores a inferir mais rapidamente o que ocorre no ambiente e reagir de acordo.

4. Aplicações na Medicina

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A primeira vez em que soube do uso dos jogos na área médica foi quando uma velha amiga – na época estudante de Fisioterapia – me falou sobre o uso do Wii na recuperação motora de pacientes. Foi algo que achei genial (além disso, quem não gostaria de contar com um Wii na sala de aula?). Nos anos que se seguiram ao lançamento dos consoles com sensores de movimento, os jogos passaram de culpados pelo sedentarismo a aliados da medicina. Os tratamentos envolvem desde a recuperação de funções motoras – como no caso de vítimas de AVC – à métodos para alívio da depressão – como exemplo temos o game SPARX, criado pela Universidade de Auckland (Nova Zelândia), utilizado no tratamento de jovens entre 12 e 19 anos, diagnosticados com depressão. Em Israel, por exemplo, o Eye Toy do Playstation 2  foi usado como analgésico  em pacientes com queimaduras extensas.

Os Malefícios

O velho ditado que diz que “tudo em excesso é veneno” é uma máxima cabível também para o universo dos jogos. Uma das principais acusações que recaem sobre os games – e que a maioria de vocês já deve ter ouvido – é que jogos violentos estimulam comportamentos violentos. Embora não possamos por nos jogos toda a culpa, precisamos reconhecer que as ações que tomamos em um game pode se refletir em nosso comportamento cotidiano. Portanto, ao mesmo tempo em que os jogos nos tornam mais ágeis e nos levam a toma decisões mais rápidas, é provável que – para aqueles cujo comportamento violento já é latente – os jogos podem ser grandes estimuladores. E quando falo de violência, não me refiro apenas à violência física – entram na lista assédio e agressões verbais – vide o caso relatado pela crítica Anita Sarkeesian.

Essa intolerância, assunto cada vez mais discutido nas esferas gamers, pode ser resultado de um segundo malefício causado pelos jogos: o escapismo social.

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Eu já passei por isso, e penso que muitos de vocês também: em situações complicadas de nossas vidas não é uma boa saída trancar-se no quarto com um jogo com gameplay de 70 horas? Enquanto esse comportamento não é recorrente não existem grandes problemas. É normal do ser humano isolar-se quando precisa de tempo e espaço para pensar. Mas e quando esse comportamento transforma-se em algo recorrente, trazendo mais malefícios que benefícios? O escapismo requer maior atenção principalmente quando se trata de crianças. O acompanhamento dos pais é importante na medida em que estabelece limites de uso, dando às crianças tempo para absorver a realidade dos jogos e separá-la da realidade social. Casos conhecidos de jogadores que abusam do escapismo nos games são aqueles em que o excesso de horas em jogo acaba levando à morte.

Mas enquanto a maioria dos estudos sobre os maleficios dos games não passa de suposições, uma consequência negativa e muito real para os jogadores é o LER/DORT – as lesões por esforço repetitivo. Muitas horas de jogo somadas à postura inadequada (vão mentir pra mim que vocês não adoram jogar largadões?! Ah vá!) Já existe até um termo específico para lesões causadas pela prática excessiva de jogos: wiite.

E agora, o que eu faço?

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Calma, cara pálida! Nossa intenção não foi gerar qualquer dilema para os jogadores. Videogame é legal, nos entretem e gera emprego para redatores de blogs sobre o assunto (oi?). Seus usos – principalmente na área médica – trouxeram resultados benéficos muito além do esperado, e certamente podem fazer muito mais. Os jogos são aplicáveis em todas as áreas humanas – com especial destaque para a  educação. E, justamente por isso, precisamos também estar atentos aos defeitos inerentes a qualquer criação. Principalmente quando esses defeitos podem afetar nossos futuros jogadores e desenvolvedores: as crianças. Há um consenso entre a Academia Americana  de Pediatria e Sociedade Canadense  de Pediatria sobre o limite de tempo a que as crianças podem ser expostas a qualquer tipo de mídia. Perceberam né? Qualquer. Tipo. De. Mídia. Não é exclusividade de jogos a fama de “ovelha negra”. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.

Cabe a nós, militantes pró-games, manter nossos radares afiados para qualquer manifestação comportamental que vá de encontro ao nosso ideal de entretenimento construtivo, uma vez que o poder de influência e repercussão de um jogo está quase que completamente nas mãos de quem o joga. Estamos entendidos? So, let’s play!

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