IndieVisível,Jogando a Sério

A importância dos jogos contra o preconceito

19 fev , 2016  

Vivemos em um mundo preconceituoso. Você provavelmente nunca tenha visto tantas notícias sobre ações colaborativas para sanar esse problema quanto agora. As razões são diversas: seja você uma pessoa acima do peso, de pouco poder aquisitivo, de uma região pobre do seu país, homossexual ou até mesmo do sexo feminino, provavelmente enfrenta problemas diários de preconceito.

E o que isso tem a ver com os jogos? Bem, tem tudo a ver.

Os jogos digitais são uma mídia. E tal como qualquer outra, eles transmitem uma mensagem que pode ser benéfica ou maléfica, a depender de inúmeros fatores. Usar do argumento de que jogos digitais são “apenas entretenimento” não funciona mais, uma vez que jogos atuais necessitam de uma profundidade cada vez maior em seus elementos para atrair o jogador. Ou seja, os jogos influenciam seus jogadores. Influenciam, não necessariamente são totalmente responsáveis pela construção de opinião deles. Mas contribuem.

E aqueles que estão desenvolvendo jogos sabem disso? Sabem. Jogos tratam de questões políticas e sociais* de maneira subjetiva, mas tratam. Todos eles tratam, de certa forma.

Mas alguns deles tratam de assuntos polêmicos, muitas vezes pouco aceitos pela comunidade para que com isso o jogo forneça no mínimo a capacidade de reflexão por parte daquele que o joga. Foi o caso do Dragon Age: Inquisition.

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Olhe bem para o personagem da imagem acima. O que ele tem de diferente em relação a qualquer mago de um jogo RPG que você tenha experimentado nos últimos anos? Nada? Pois é, a Bioware também pensa dessa forma. E por isso permitiu que Dorian fosse o primeiro personagem gay da série. Isso porque a opção sexual do personagem não implica em absolutamente nada negativo para o jogo, pelo contrário; permite uma história ainda mais elaborada sobre ele e ainda fornece espaço para que um debate seja realizado em cima de uma questão: “Qual é o verdadeiro impacto da inclusão de um personagem homossexual no jogo?“.

Segundo as palavras do próprio roteirista do jogoDavid Gaider:

“[A homossexualidade] adiciona uma dimensão interessante à sua história, considerando que ele vem de um lugar onde a “perfeição” é a máscara que todo mago veste, e tudo o que cheira a diferença é vergonhoso e deve ser escondido. A recusa de Dorian a compactuar com essa farsa é vista como teimosia e inútil por sua família, o que contribuiu para seu status de pária”.

A decisão da Bioware de incluir um personagem homossexual em seu jogo foi tão positiva que rendeu um prêmio LGBT para o Dragon Age. E a maior prova de que essa inclusão não impactou no sucesso do jogo é que a própria Bioware afirma que Dragon Age: Inquisition foi o maior sucesso da história da empresa.

A mesma ideia de inclusão já havia sido recusada pela Nintendo anteriormente, e mesmo recebendo críticas fortes, ela manteve seu posicionamento em não permitir o relacionamento homoafetivo alegando problemas técnicos no jogo.

Então veja que incluir um personagem gay no jogo representa riscos de aceitação do público. E nenhuma empresa quer perder dinheiro porque o público é contra a sua ideia.

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Em um vídeo publicado recentemente para o anúncio dos keynotes da Global Game Jam 2015, a artista brasileira Amora, da Miniboss, ressalta a importância de jogos com protagonistas que estejam “fora dos padrões” da indústria, ou que pelo menos tais jogos insiram esses personagens menos clichês para que possuam uma participação realmente relevante e menos alegórica ou preconceituosa.

A presença de mais personagens “incomuns” em títulos de sucesso pode ajudar a repensar valores e conceitos que tem destruído nossa sociedade aos poucos.

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Apesar de muitos serem indiferentes à inclusão dos personagens homossexuais, poucos realmente apoiam a iniciativa (Fonte: http://www.ps3brasil.com/enquete.php?id=88).

Este é um assunto que deve ser levado em consideração. Os jogos possuem o poder de construção cultural, política e social. Se a indústria pode utilizar a homossexualidade como fetiche para atrair público, por que não usá-la como maneira de protesto ao preconceito?

Uma sociedade livre representa a manifestação da cultura para todos, independentemente de sua classe social ou gênero. E os jogos possuem um papel importantíssimo para que isso seja concretizado.

Esperamos que mais estúdios tenham ações tão audaciosas e corajosas quanto a Bioware. Assim, haverá mais estímulo para o combate ao preconceito e finalmente tratar assuntos como a homossexualidade de maneira comum – pois é comum.

 *Site somente em inglês

 

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