IndieVisível,Jogando a Sério

Um dia da inspiração, outro do inspirador

16 fev , 2016  

De vez em quando acabamos nos esquecendo, mas todos os jogos que conhecemos hoje em dia só nasceram porque há muito tempo, lá atrás, alguém deu um passo inicial. Muitos acreditam que a criatividade é uma habilidade para poucos; eu não.

Durante meu tempo de aprendizado desenvolvendo jogos, aprendi que a criatividade é a capacidade de criar algo novo a partir daquilo que já existe. Recriar.

E a palavra “recriar” parece muito mais simples do que “criatividade”, não é?

Quantos jogos você experimentou nos últimos meses com aquela sensação de: “eu já vi isso antes”?

 

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The Evil Within tem sempre aquela sensação de “eu já vi isso antes”… No banheiro da minha casa. Ah não, pera

Jogos de todos os gêneros e tamanhos necessitam de referências para sua criação. Antigamente, os jogos possuíam grande parte das suas inspirações vindas de filmes e livros, agora, as inspirações vem de outros jogos.

E não importa se você é um indie underground que trabalha preso no seu quarto ou uma empresa gigantesca que vendeu milhões no último lançamento: se você ver algum conceito bom e proveitoso em algum outro jogo, com certeza considerará a ideia de usá-lo em algum projeto seu.

Isso não é de todo ruim. Apesar de dar a impressão de que todos os jogos serão cada vez mais repetitivos, – e de fato, boa parte dos jogos hoje em dia estão mesmo – às vezes surgem títulos surpreendentes que utilizam referências claras de outros jogos.

Dentre essas novas criações alguns casos são no mínimo… curiosos. Existem jogos que serviram de grande inspiração para vários desenvolvedores, porque em sua época, marcaram fortemente o cenário de jogos.

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Podemos citar, por exemplo: Super Mario World, Resident Evil, Donkey Kong, Final Fantasy, Legend Of Zelda, entre vários outros. E muitos surgiram graças a essas criações: Sonic, Silent Hill, Crash Bandicoot, Child of Light e Shadow of Colossus, por exemplo.

O interessante disso é perceber como os jogos que foram inspiração hoje em dia se inspiram em jogos que foram criados a partir deles. Confuso?

Pois bem:

A primeira vez que vi Uncharted, logo pensei comigo: “Olha só, uma Lara Croft com pênis”. Mas assim que peguei a trilogia pra conhecer de verdade o jogo, compreendi as imensas diferenças que ele possuía em relação à sua referência, apesar de um conceito semelhante.

E quando finalizei toda a trilogia, recebi a notícia de que a Square estava com o projeto de um novo Tomb Raider.

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Era irônico: a Square iria se inspirar num título que nasceu a partir do jogo que eles estavam criando.

Eu já sabia que o jogo seria bom. Afinal, era evidente que o jogo teria uma grande inspiração com o sucesso da Naughty Dog, uma vez que eles aprimoraram o conceito do Tomb Raider pra um nível ainda maior. O que eu não esperava era que fosse ficar tão surpreendido.

A jogabilidade é semelhante; o conceito principal é semelhante (o conceito, não o roteiro); até mesmo a montagem do cenário para as acrobacias e combates são parecidíssimos. E mesmo assim, a aventura vivida por Lara Croft é imensamente diferente da vivida por Nathan Drake.

O crescimento de uma desenvolvedora de jogos inicia a partir do momento que ela é perspicaz o suficiente para perceber seus “erros” e possíveis melhorias para seu projeto a partir de algum outro jogo que tenha nascido de uma criação sua.

Não se trata de criar uma cópia. Se trata de recriar. Criatividade.

Isso não aconteceu só com o Tomb Raider: Shinji Mikami criou o Resident Evil. A partir daí, inúmeros sucessos de survival horror foram aparecendo. Mas aqui posso falar só de alguns: Silent Hill, Amnesia e Outlast.

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Cito esses casos por causa da última criação do Mikami, The Evil Within. Esse jogo tem muitos elementos bem próximos ao que eu vi no Outlast. E é engraçado, porque a mecânica do Outlast parece uma melhoria do que foi criado em Amnesia. E olha só! Amnesia, pra mim, foi o retorno do terror psicológico, que surgiu com o Silent Hill; jogo que nasceu a partir daquele survival horror com zumbis numa mansão assustadora.

Às vezes quando estou estudando fico pensando no quanto de coisas ainda tenho pra aprender. Mas é bom saber que até mesmo aqueles que nos ensinaram também tem muito a aprender conosco.

E você? Conhece algum jogo que passou por esse mesmo tipo de desenvolvimento de se inspirar no inspirado?

Conte pra nós 😀

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