IndieVisível,Jogando a Sério

Por um mundo com mais simplicidade e menos “evoluções” nos jogos

16 fev , 2016  

Pare e pense por um momento: quais foram os últimos títulos da nova geração que você jogou? Pensou? Então agora responda: quantos deles te deram a impressão de 6 horas de gameplay totalmente desnecessárias?

Sabe, nos meus bons tempos de Playstation 1, recordo-me muito bem que haviam inúmeros jogos que eu ficava irritadíssimo com uma parte desnecessária. Mas isso durava cerca de 10, 15, raramente 30 minutos no máximo. E veja bem: essas partes chatas, apesar de parecerem ter sido incluídas apenas pra gerar mais tempo de gameplay, ainda assim eram contextualizadas.

Um ótimo exemplo disso é solucionar puzzles com a Sherry Birkin em RE2. Se você jogou este game, com certeza achou um pé no saco ter de garantir a vida dessa menina que dá tanta vontade de matar o jogo inteiro.

 

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Ok, talvez eu seja um pouco insensível. Mas que essa menina só traz problemas, ahhhh, isso é.

O mesmo aconteceu em muitos outros. Geralmente quando jogamos algum game que possua um modo de campanha linear, esperamos que ele seja construído de uma forma crescente. Bom, é claro que são esperados alguns reviravoltas durante o jogo e tudo mais, mas desde que o jogador sinta que está avançando de alguma forma e sem muitos problemas.

Quando a sensação que se passa é que o jogo se perdeu, então qualquer ação tomada começa a se tornar uma tortura.

E isso piora ainda mais quando você coloca esse problema num jogo de mundo expansivo, porque você começa a inserir coisas cada vez mais sem sentido no jogo pra adicionar horas de gameplay, e essa não é uma tática muito inteligente.

E a Ubisoft é a principal responsável por esse post. Provavelmente você já deve ter lido as inúmeras críticas feitas ao último lançamento do Assassins Creed.

Boa parte dos comentários é referente aos incontáveis bugs que o jogo apresenta, chegando a nível de gamebreak algumas vezes. Se você pesquisar, encontrará listas de bugs engraçados, o jogo com seu season pass cancelado devido a tantos bugs, tutoriais para conseguir avançar no jogo se livrando de um bug LOGO NO COMEÇO, e é claro, a ação ‘bondosa’ da Ubisoft em oferecer um DLC “gratuitamente” como pedido de desculpas.

 

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“So many bugs to find… So little time to find all” – Arno Victor

 Em uma discussão com amigos meus, eu ouvi um deles dizer: “Mas você não acha que os fãs de hoje em dia estão ficando muito exigentes? Isso é, o jogo é imenso, então é natural que tenha bugs”.

De certa forma, ele tem razão. Mas olhando por outro lado…

Os jogadores de hoje são mais exigentes. E os jogos realmente tem crescido cada vez mais, dando ao jogador possibilidades que antes nem sequer eram imaginadas. Mas até que ponto isso é realmente algo positivo?

Fazer jogos não é uma tarefa barata. Os orçamentos dos jogos de agora são similares aos orçamentos das grandes produções de Hollywood, em alguns casos, até maiores.

Com isso, a venda dos jogos também ficou mais cara. Mesmo com a criação da Steam que fez com que os jogos ficassem muito mais acessíveis ao público, ainda temos preços abusivos durante o lançamento de um título, seja lá qual seja o seu tamanho, gênero ou qualidade do gameplay.

 

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Você pagou caro achando que esse jogo seria foda? Surprise, modafócka!

E é aí que surgem jogos como o Alien Colonial Marines, que provavelmente foi uma das maiores decepções dos games em 2013. E esse ano temos o Rambo: The Video Game, que conseguiu ser ainda pior. E não são somente as adaptações dos cinemas que conseguem ser ruins, é só dar a olhada no último jogo de uma franquia de games consolidada desde 1996: Resident Evil 6 (pode até ser um bom jogo de ação, mas não um bom RE).

O jogador paga 200 reais por títulos como esses três últimos, esperando uma experiência de jogo pelo menos satisfatória e ainda assim termina frustrado. Os fãs estão sofrendo cada vez mais ao adquirir seus jogos tão amados e sofrendo decepção atrás de decepção. Qual a saída pra isso?

Pra mim, a saída é dar um passo para trás.

Por que ao invés de pensar em inúmeras features e mecânicas novas pros jogos já existentes e lançamentos as empresas não tentam melhorar o produto que já tem? Bom, é claro que não se pode dar um jogo repetido pro consumidor, mas é muito mais interessante que a inovação e o crescimento do jogo venha aos poucos ao invés de tentar fazer tudo de uma vez.

Vejamos a lição que a Naughty Dog deu aos desenvolvedores na sua última apresentação na Playstation Experience:

Se você já jogou a trilogia do Uncharted vai perceber que não existem muitas diferenças entre este gameplay e o que você já viu anteriormente, exceto pelo uso do arpão para melhor movimentação do Drake.

A Naughty Dog insere mais um elemento na jogabilidade. O gameplay já é visto de uma perspectiva completamente diferente. Isso porque a ideia é aprimorar aquilo que já se tem, inserir algum elemento básico, mas que possa ser trabalhado eficientemente e BANG! Você tem um novo jogo, com inovações e quase a garantia de uma boa experiência pro jogador.

Num mundo onde a tendência é fazer cada vez mais e oferecer menos, fazer menos possa ser a solução para oferecer mais.

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