IndieVisível,Jogando a Sério

Nintendo: Um Mito

16 fev , 2016  

Não importa de qual geração você seja ou de qual console você possui; com certeza, você conhece a Nintendo. E não deve conhecer pouco dela, o que é totalmente natural. Desde o NES, lançado em 1983 até hoje, a empresa criou inúmeros jogos memoráveis.

Alguns deles ficaram tão populares que se transformaram em ícones da cultura pop, como Link do The Legend of Zelda, Donkey Kong e é claro, os irmãos Luigi e Mario.

E hoje, mais de 30 anos depois, a empresa mantém seus grandes títulos renovando-os a cada geração e atraindo mais e mais fãs. Isso é realmente impressionante, uma vez que tornou-se comum a morte de franquias de sucesso. Quantos jogos que você gostava acabaram morrendo com o passar dos anos?

E qual é a fórmula mágica que a Nintendo possui? Qual será o seu segredo pra conseguir uma legião de fãs tão fiéis e ainda conseguir atrair novos fãs? O que faz da Nintendo uma empresa completamente diferente da Sony ou da Microsoft?

A experiência na criação de jogos

super-mario-world-indievisivel

 

A prática leva a perfeição. E a Nintendo foi a responsável pela criação de vários gêneros de jogos utilizados até hoje. Apesar de não ter sido a responsável pela criação dos primeiros jogos digitais, ela foi uma das primeiras a propagar os jogos como uma cultura de massa.

Tanto tempo criando jogos proporcionou uma visão muito além do que desenvolvedores atuais possuem: trabalhar com limitações com as melhores alternativas, reutilizando toda sua criação de tantas maneiras que sempre parecem novas.

Mario, que representa o carro-chefe da Nintendo é a prova disso: o jogo foi criado com uma mecânica simples e diversas limitações. Só que isso nunca representou um problema para o senhor Shigeru Miyamoto. Ele criou um jogo que apesar de simples, tinha muito à oferecer. A cada nível de jogo, toda sua mecânica era reutilizada de uma maneira bem elaborada e imensamente criativa. E a cada jogo novo, a essência do primeiro Mario era mantida, mas sua evolução é inegável.

Essa mesma característica foi repassada para seus outros títulos de sucesso. Ou seja: a Nintendo recria aquilo que foi criado há muito tempo atrás. E ainda assim é quem mais demonstra inovações realmente significantes em seus jogos. Isso não mudou mesmo depois de tantos anos. É difícil acreditar que vá mudar daqui pra frente. E quanto mais fazem, mais aprendem e evoluem.

O foco na experiência do jogador

O que determina se um jogo é divertido ou não é a experiência que ele proporciona ao jogador. A experiência é um conjunto de inúmeros fatores que geralmente são extremamente pensados antes mesmo de iniciar o desenvolvimento do jogo. Gráficos, música e uma jogabilidade simples são alguns dos elementos que compõem uma boa experiência. Mas saber equilibrar todos esses elementos pra criar um jogo verdadeiramente bom é muito difícil.

Expandir os jogos e torná-los cada vez mais realistas tem sido uma das principais estratégias adotadas pelas empresas para conquistar o público. E de certa forma, isso até funciona. Alguns jogos possuem os gráficos como um dos pontos mais importantes da experiência, e aliando isso à um bom enredo, é quase uma garantia de sucesso.

Porém, a experiência do jogo pode acabar sendo rasa. A diversão proporcionada pode durar pouquíssimo tempo, e tem sido cada vez mais difícil criar um jogo de destaque que não pareça uma cópia de algo já feito. Com o passar dos anos a repetição se tornou algo normal e até rentável. E a falta de preocupação com o jogador fica evidente em alguns casos.

E mais uma vez, a Nintendo recebe destaque por fugir desse panorama.

donkey-kong-nintendo-indievisivel

O jogo pode ter evoluído muito, mas se você jogar os primeiros títulos de DKC e jogar DKC Returns, verá a mesma essência

Não é só pelas ótimas reviews que os jogos da Nintendo sempre ganham. Nem pelos mínimos bugs que seus games possuem. Ao jogar um dos títulos importantes da empresa, é quase como se você soubesse o apreço que os desenvolvedores tiveram pelo projeto realizado.

A cada console novo, a empresa evolui seus jogos pra outro patamar. Mas não utilizando foto-realismo ou criando jogos open-world com várias possibilidades explorativas. Ao invés disso, eles utilizam o mesmo universo que já estamos habituados.

Os esforços dos desenvolvedores que poderiam ser utilizados para gráficos melhores, um mundo maior ou mais possibilidades acabam sendo revertidos em proporcionar um produto da maneira mais perfeita possível.

A Nintendo ainda tem jogos simples. Mas que são tão absurdamente trabalhados que proporcionam uma experiência divertidíssima, fazendo com que o jogador esqueça os fatores mais rasos. Aqui, o foco é fazer um bom jogo para que o jogador tenha diversão. Só isso.

Diversão para todas as idades

familia-wii-nintendo-indievisivel

Até minha mãe já jogou Nintendo comigo e meu irmão. E é sério.

Apesar de falarem que os jogos da Nintendo são voltados para o público infantil, na prática, a realidade é muito diferente.

Desde o início a empresa tem um acervo de jogos que vão desde bolinhas coloridas saltitantes até RPG’s extremamente bem elaborados com um sistema de jogo extremamente complexo e divertido. Quanto aos maiores títulos da empresa… Conseguem ser ainda mais incríveis, pois são capazes de conquistar desde a criança de 5 anos até o adulto de 40. E qualquer um (QUALQUER UM) é capaz de compreender o jogo e avançar.

Os jogos da Nintendo são voltados para família. E se você gosta de shooter, RPG, jogos de esporte, aventura, ou casual games pode ter certeza: você será atendido. Talvez não da maneira como está acostumado, mas é só explorar um pouco e encontrará títulos que vão te conquistar.

A ideia de fazer jogos “com a cara da Nintendo” dá uma pessoalidade aos projetos de uma maneira que nenhuma outra empresa é capaz de fazer hoje em dia. E a “cara da Nintendo” foi feita pra conquistar todos. E consegue.

Splatoon é um shooter com “a cara da Nintendo”

O mais importante: o gênero Nintendo não pode morrer

nintendo-family-indievisivel

 

Você vê Call of Duty vs Battlefield. Vê Tomb Raider vs Uncharted. Mortal Kombat vs Street Fighter e muitos outros jogos *parecidos* que existem por aí. Mas é difícil (quase impossível) ver um jogo do gênero Nintendo que não tenha sido feito pela própria empresa.

Chega a ser difícil explicar o que é isso. Mas se você tem ou já teve algum console da Nintendo durante sua vida, provavelmente entenda do que se trata. Tanto Sony quanto Microsoft se parecem muito em alguns aspectos na indústria de videogames. Mas quem consegue ser como a Nintendo é?

O foco da Nintendo é extremamente diferente de seus concorrentes. Seus jogos expressam isso. E a empresa já poderia ter mudado o seu modelo de desenvolvimento há muito tempo atrás. Mas não mudou. Por que?

Uma explicação dada pelo próprio Shigeru Miyamoto talvez seja a resposta:

“Não é que eu não goste de histórias sérias ou que eu não pudesse fazer uma, mas atualmente na indústria de videogames vemos vários designers se esforçando bastante para fazer seus jogos parecerem realmente legais. Para muitos de nós da Nintendo é difícil decidir o que realmente é legal. Na verdade, é muito mais fácil que riamos de nós mesmos. É quase como se fôssemos atores, e nossa forma de interpretar é criando essas coisas engraçadas, estranhas e bobas […] Eu realmente acho que é necessário que haja um ‘gênero Nintendo’, é como se fosse a nossa identidade”.

Entenda: não é que eu não goste dos jogos das outras plataformas. Eu amo os jogos das outras plataformas. Aliás, aqui, quem vos escreve, é um grande fã da Sony e dos seus tempos de ouro. Mas é impossível deixar de admitir que muitos estúdios tem caído cada vez mais na ideia de falsa evolução: melhoram os gráficos, criam músicas cada vez mais incríveis, os jogos se assemelham cada vez mais com a realidade, mas a experiência do jogo não é muito memorável. Às vezes nem sequer consegue ser muito divertida.

Por esse motivo a Nintendo não deve morrer. Nem deve mudar. Sua pessoalidade é sua maior marca, e também é graças a ela que jogos incríveis foram desenvolvidos, tem sido desenvolvidos e serão desenvolvidos por muitos e muitos anos pela frente.

Compartilhe em suas redes:

, , , , , , , , , , ,


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Escute nossos últimos podcasts:

Acompanhem nossa página no Facebook!